quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Einstein disse tudo isso no século passado...

Mas será que mesmo hoje, as pessoas entendem tudo isso?

“eu não tenho nenhum talento especial. Sou apenas tremendamente curioso”

“nós não podemos resolver problemas usando apenas o mesmo tipo de pensamento que usamos para criá-los.”

“o intelecto tem pouco a fazer na estrada do descobrimento. Aí entra um salto de consciência, chame isso de intuição ou chame como quiser, e a solução vem até você e você não sabe como ou porque.”

“Imaginação é mais importante que conhecimento.”

"Conhecimento é limitado. a imaginação não tem fronteiras."

- Albert Einstein

segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

Porque descobertas feitas há mais de dez anos não são usadas na comunicação?

O Dr. Jakob Nielsen é uma das maiores autoridades mundiais em usability (estudos sobre como as pessoas usam a web, destinados a facilitar o acesso ao que interessa), de fato, ele mesmo criou o termo. Suas pesquisas são altamente científicas, como se pode ver no site www.useit.com

A consultoria do Dr. Nielsen atende as maiores empresas on-line do planeta; e vários institutos de pesquisa, entre eles o MIT.

Há mais de dez anos, pesquisando como as pessoas lêem quando estão on-line, ele se deparou com algumas constatações simples e muito, muito claras, e as publicou. Entretanto, a maior parte dos resultados parece ser ignorada até hoje pela maioria das empresas, tanto no meio on-line (onde as pesquisas têm fundamento científico pleno) quanto off-line (onde elas não foram necessariamente feitas, mas o aproveitamento sempre pareceu por demais óbvio).

Um dos achados mais claros foi o seguinte: o mesmo texto, se escrito de modo que o Dr. Nielsen qualificou como “marketeiro”, ou seja, cheio de opiniões subjetivas, como por exemplo:

“O estado de Nebraska está cheio de atrações internacionalmente reconhecidas... (segue a relação de atrações e número de visitantes)”

Tem 27% menos entendimento e retenção da informação que o mesmo texto, escrito assim:

“Nebraska tem várias atrações: (segue a relação de atrações e número de visitantes, exatamente do mesmo modo que na primeira versão)”

A explicação mais importante para esta queda de entendimento e retenção da informação está no fenômeno da negação; ou resistência:

Assim que o leitor se depara com uma linha como “cheio de atrações internacionalmente reconhecidas” ele imediatamente identifica a tentativa de manipulação de sua opinião. Automaticamente, passa a desconfiar do restante do texto, dirigindo parte do seu esforço de compreensão para evitar a absorção por uma informação que está claramente tendo a intenção de “convencimento”.

Ou seja, entregando os fatos, de modo simplesmente objetivo, obtêm-se 27% mais retenção e compreensão do que com a linguagem destinada a “convencer”.

O mais curioso é que no newsletter da Harvard Business School de dezembro de 2007, a professora Julia Hanna destaca a mesma conclusão, em outro estudo recente, intitulado “Authenticity over Exaggeration: The New Rule in Advertising” (Autenticidade ao invés de exagero: a nova regra na publicidade)

http://hbswk.hbs.edu/item/5812.html

O estudo chega à mesma conclusão, mas desta vez, tratando diretamente da comunicação de marketing como um todo, e não apenas do mundo “on-line”.

Então, se isto é tão claro, porque as empresas não deixam de lado a mania de usar textos de “convencimento”, automaticamente criando um incremento de mais de um quarto na compreensão e retenção das suas mensagens?

De minha parte, aponto duas razões, ambas de deficiência de formação profissional; pelo menos no que diz respeito ao porque isto não acontece no Brasil:

Primeiro, porque os estudos da Harvard Business School, assim como os do Dr. Jacob Neielsen, são completamente ignorados pelo pessoal de marketing das empresas que compram comunicação. O que já não seria desculpável, uma vez que esses profissionais deveriam encarar como parte fundamental do seu trabalho entender o assunto e estar a par dos estudos atuais sobre o tema.
Pior ainda, os profissionais de comunicação que trabalham nas agências estão, do mesmo modo, completamente ignorantes sobre estes estudos. O que é ainda mais grave, levando em conta que os profissionais de marketing e comunicação das empresas-clientes consideram que as agências representam um tipo de vanguarda nesse tipo de conhecimento e as contratam, entre outras coisas, também por essas razões.

Segundo, porque há um movimento inercial dos criativos e dos profissionais que aprovam as peças de comunicação: os primeiros acham que se não utilizarem a linguagem de “convencimento” não estarão realmente fazendo seu trabalho. Sentem que se colocarem no texto um fato simples, sem exageros ou hipérboles, não deram o tom criativo que o texto merece. Já os profissionais que aprovam a comunicação nas empresas acreditam ainda nos “textos de convencimento” e quando não reconhecem no texto apresentado estes elementos fundamentais, não os aprovam, normalmente dizendo algo como “o texto não está vendedor”, porque estão em busca de reconhecer nos seus textos as velhas ferramentas de “convencimento” com as quais se acostumaram.

Infelizmente, como comunicação no Brasil é feita por gente pouco informada e que, na grande maioria não pode ler um texto original em inglês, os clientes dificilmente vão chegar a conhecer estes estudos, muito menos usufruir desses resultados para suas ações de comunicação.

quinta-feira, 20 de dezembro de 2007

2007 já foi!

E sobre o que já foi, vale apenas fazer o balanço do que aprendemos, pra ver se a gente consegue mudar o que não deu certo neste ano e acertar mais no próximo.

Então, vou fazer apenas uma lista de coisas que aprendi neste ano, compartilhando a experiência. De minha parte, vou adorar receber as listas do que vocês aprenderam também, então fiquem à vontade para me mandar – quem sabe a gente já começa a fazer um 2008 melhor desde já?

Grande abraço, feliz natal e um 2008 de sabedoria, sucesso, realizações e muito amor.

As lições que 2007 me ensinou:

  1. Quando perder, ao menos não perca a lição.
  2. Exceto pelos que te amam de verdade, tudo mais é passageiro, tudo mais passa pela sua vida num momento e não deixa marcas que durem mais que alguns meses. É pura perda de tempo sofrer por coisas que desaparecem da sua vida tão rapidamente.
  3. Quem se importa com você e está ao seu lado de verdade mostra isso com atitudes. Palavras saem facilmente. Transformar palavras em atos é uma história muito diferente.
  4. Não perca contato com os amigos que continuam amigos depois que o contato diário acabou.
  5. As pessoas que concordam com o que você diz nem sempre vão ser capazes de apoiar o que você faz.
  6. Não insista com pessoas que não acreditam em você. Só é possível fazer algo realmente bom nesta vida ao lado de gente que acredita em você, e em quem você também acredita.

quarta-feira, 31 de outubro de 2007

Adjetivos

Nosso tempo tem características bizarras. Uma delas, sem dúvida, é o uso de adjetivos. A função dos adjetivos sempre foi qualificar, exprimir características específicas a sujeitos, de resto, simples: uma cadeira azul, em oposição a simplesmente uma cadeira. E são ferramentas importantes na expressão de opinião. Bom, ruim, fraco, excelente – são conceitos subjetivos, mas antes de tudo, são adjetivos que usamos para descrever algo, ou pelo menos uma opinião sobre algo.
Pois bem, hoje os adjetivos estão cada vez mais desempenhando papel de eufemismos. É mais ou menos assim: o eufemismo é dizer uma coisa para suavizar o conteúdo, para tornar menos contundente uma revelação, por exemplo. É o famoso “seu gato subiu no telhado” ao invés de simples e diretamente dizer que o gato morreu. Fica menos claro, menos informativo, mas compromete menos quem emite a opinião. E é justamente por isso que o adjetivo está perdendo seu uso clássico: porque as pessoas tem medo de emitir opiniões e dizer o que pensam de modo claro. Compromete demais. Imagina alguém te perguntar algo sobre Tropa de Elite e você responder que adorou, gostou muito que é um grande, excelente filme. Pronto: você está comprometido com o que disse, pra você é um excelente filme.

Hoje em dia ninguém quer mais isso: é interessante, é bacana, é válido (e aqui, com licença, mas dizer que algo é válido é o cúmulo do “em cima do muro”) qualquer adjetivo que permita, depois da contra-opinião, rever a conversa com a possibilidade de mudar completamente o rumo do que foi dito:

- você viu o filme?

- Vi sim, é muito interessante...

- ah, mas tem falhas terríveis de roteiro.

- é, é interessante, mas o roteiro deixa a desejar...

Pronto: já ficou agradável, já saiu concordando, cordeirinho balançando a cabeça; sem discussão. Se quem perguntou foi o chefe, então, melhor ainda...

E vivemos nesse tempo que é resultado dessa atitude flácida, que não toma posição, que não defende idéias, que não confronta pontos de vista. Um tempo rico em politicagem, em falação vazia, e fraco de idéias. Criam-se produtos maravilhosos, tecnologias esplêndidas, mas idéias? Quando foi a última discussão acalorada da qual você participou? Quando foi que ficou na ponta de cadeira, discutindo e debatendo algo, eventualmente discordando do seu interlocutor – e exatamente por isso – ambos cresceram com o debate? Se você, como eu, é feliz o suficiente pra conviver com gente de nível pra fazer isso regularmente, que bom. Mas saiba – você é minoria.

O ponto mesmo é que ninguém precisa da briga – mas todos nós precisamos do confronto de idéias – para que elas cresçam e se desenvolvam. E isso exige tomada de posição. Sou a favor – sou contra – gosto, detesto. Posições claras, longe do conforto burro do “não sei, mas parece que falta algo". Isso é de uma covardia absurda: veta, interrompe, mas não traz nada para o debate. Barra o andamento, sem oferecer nenhum argumento lógico ou válido para que o outro possa responder. A mais perfeita arma dos incompetentes, dos indigentes culturais: “falta alguma coisa, mas eu não sei o que é.”.

Isso é uma afirmação tão absoluta de falta de consistência que em outros tempos, ninguém se permitiria dizer, por um mínimo de vergonha na cara. Se você vai se opor a algo, seja o que for, por favor, primeiro tenha argumentos, para depois abrir a boca.

Mas enfim, esses são nossos tempos cinzentos, onde nada deve ser claro, onde preto e branco não combinam com a flacidez, a politicagem e a falta de espinha dorsal das pessoas “certinhas”, saudáveis e prósperas, centradas no consumo descartável e no “tudo bem contanto que não me incomode pessoalmente”.

Então, pra terminar e deixar bem claro, bem estabelecido: sou contra essa moleza de intelecto, sou contra essa mania de achar que o agradável vale mais do que a verdade.

Pronto, falei. Agora, azar o meu.

sexta-feira, 31 de agosto de 2007

Diálogo V – Atenção.


Você me ouviu?

Ahn?

Eu estava falando com você – você não ouviu nada do que eu disse?

Desculpe – não ouvi, tava pensando em outra coisa.

Pois é – isso é exatamente o que eu acho que faz com que a gente tenha a impressão do tempo passar mais rápido...

O que? Eu não ter te ouvido?

Não. A gente não conseguir manter a atenção numa coisa de cada vez.

Como é? Olha desculpa, eu não quis te chatear...

Não, não é isso, não chateou. O que estou dizendo é outra coisa: quando eu me lembro de quando era criança, sempre tenho a sensação de que o tempo demorava bem mais pra passar.

É, eu também. Provavelmente todo mundo sente isso. E daí?

Daí que eu acho que é a coisa da atenção. Quando se é criança, a gente tem atenção total pra tudo. Seja o que for. Um besouro no chão, uma palavra nova, uma cor diferente: seja o que for, quando capta a atenção, capta toda a atenção a criança. Depois vem a adolescência e pronto, vai-se embora a atenção, pelo menos essa atenção cem por cento.

Fica fracionada, sim – mas tem jeito? A gente não consegue pensar numa coisa só, tem muita coisa pra resolver.

Então – aí nossa atenção fica partida: tem mil coisas na cabeça ao mesmo tempo. Todas elas consumindo um pedaço da nossa atenção; nenhuma tendo a atenção total. Eu acho que é por isso que o tempo parece passar depressa demais: porque enquanto a gente está com a atenção dividida em mil pedacinhos, a cabeça tenta entender e processar tudo isso – e aí o dia fica curto, os minutos escorrem por entre os dedos.

Queremos pegar tudo ao mesmo tempo, queremos entender tudo. Misturamos assuntos o tempo inteiro, falamos de duas ou três coisas, e ainda temos mais umas quatro ou cinco das quais não falamos, porque não dá... tempo. Percebe? Se a gente tratasse de uma coisa de cada vez, talvez desse tempo de fazer mais coisas.

Ou talvez a gente ficasse com muito mais coisas por fazer e resolvesse menos ainda...

Pode ser. Mas por alguma razão, tenho certeza que seríamos muito, muito mais felizes.

sexta-feira, 15 de junho de 2007

Diálogos IV – Desenvolvimento da Consciência Humana

Como é que chama esse lugar mesmo?

IDCH

E o que quer dizer isso?

Instituto de Desenvolvimento da Consciência Humana

Você tá inventando, né?

Não. Tá na camiseta do cara lá no balcão.

Nossa.

O shitake tá bom

O meu tá meio sem gosto.

Põe um pouquinho do teriaki que tá ótimo.

Ué – olha lá: tem cerveja aqui?

É. Mas o garçom disse que só tinha suco.

Acho que a cerveja não vai ajudar muito no desenvolvimento da consciência humana...

Será que a gente consegue aquele sofá do canto?

Essa música tá muito boa... um jazz-acid-indiano-citarizado.. uou...

É a noite Fluid. Chill art...

Hã? Chill out?

Não, chill art mesmo

...

Isso é o máximo, não quero ir embora, tô com vontade de dormir aqui

Às quatro da manhã eles devem ter que acordar todo mundo pra poder fechar...

O pessoal não dança?

Tem alguns ensaiando uns passinhos

Nossa, tem um misto de Ney Matogrosso com Paulo César Pereio se esbaldando ali...

Yoga...

Yoga...

Aquela menina ficou parada meia hora olhando pra banda e pra pista de dança, sem se mexer. Parecia num transe, fora do mundo. Depois, lentamente, começou a se mexer como se finalmente tivesse se conectado à música...

É o Desenvolvimento da Consciência Humana...

Mas como tem plantas bonitas aqui.. o que será que eles fazem?

Regam?

Não... não pode ser só isso.. tem plantas lá dentro também...

É... as plantas também desenvolveram a consciência... essa coisa natural, saudável...

Olha, eu acho que é outra coisa mesmo...

O que?

Acho que o teto abre...

Ah...

segunda-feira, 4 de junho de 2007

Diálogos - 3 -

Então...

Pois é.

Não é irritante quando aparecem esses silêncios no meio de uma conversa?

Olha, depende. Com você eu não me incomodo não.

Como assim?

Com quem a gente não conhece bem é que fica chato; mas com você eu não me incomodo que isso aconteça. Acho que tem uma coisa de intimidade – é como uma barreira que se ultrapassa: você começa a estar realmente à vontade com alguém quando consegue ficar em silêncio e não se sentir incomodado com isso.

Então você está dizendo que eu não estou á vontade com você, mas que você está à vontade comigo?

Pode ser. Não sei, mas pode ser sim. As relações não avançam igualmente dos dois lados – cada um tem seu próprio tempo e ritmo.

Interessante isso. Mas eu acho que tem gente que nunca passa por isso. Eu conheço um cara que sempre tem assunto – é uma coisa incrível – e sem ficar perguntando se vai chover, é claro, porque isso não conta, nem é conversa realmente.

Ele é solteiro, né?

É divorciado, eu acho.

E está sozinho, certo?

Não sei. Mas o que isso tem a ver com o assunto?

Porque ele precisa falar, tem tudo a compartilhar e ninguém pra fazer isso com freqüência.

Pode ser, mas eu conheço gente que é assim e não vive sozinho.

É, pensando bem, tem gente que esse talento de manter a conversa em alta mesmo...

Eu li uma vez que isso é importantíssimo pra quem organiza jantares e festas em casa: você precisa misturar os convidados colocando essas pessoas entre outras que não falam tanto, assim os grupos conversam e todo mundo acha a festa ótima...

É, às vezes vou almoçar com alguém e a conversa não rola... aí eu me lembro que fui almoçar com a pessoa antes e tinha rolado bem.... Só pra me dar conta que quem manteve o assunto em alta foi um terceiro – que não estava nesse outro almoço, entende?

Você fica sem assunto? Essa não...

Não, não acontece muito... Mas depende da situação. Essas pessoas que você está falando são aquelas que nunca passam por isso, certo? Eu já passei.

Eu também.

É.

Pois é.

...

Viu?

O que?

O silêncio: aconteceu de novo. É por causa das respostas curtinhas. Quando você dá uma resposta curtinha, funciona como se fosse um ponto final num texto escrito: pára a comunicação.

É.

Viu? Outra vez: é só você dizer “É.” Que acontece....

É?

Bom... Assim não acontece porque é uma pergunta....